3 DIAS PERFEITOS EM OURO PRETO E MARIANA

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O circuito histórico de Minas Gerais é uma viagem ao passado, com a arquitetura barroca cheia de detalhes, as íngremes ruas de paralelepípedos e muita decoração dourada. As estrelas deste roteiro são as cidades de Ouro Preto e Mariana, com casarios bem conservados do século XVIII e algumas das igrejas mais importantes do Brasil, além de terem sido cenário da corrida do ouro no país, o que fez da região ser conhecida internacionalmente.

A região tem roteiros para muitos dias, mas para quem tem somente um final de semana prolongado para curtir as duas cidades, elaboramos uma sugestão de 3 dias neste post.

Ouro Preto

Centro histórico de Ouro Preto com arquitetura colonial preservada. Patrimônio Histórico da Humanidade. Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Centro histórico de Ouro Preto com arquitetura colonial preservada. Patrimônio Histórico da Humanidade.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Saindo de Belo Horizonte, são 95 km até Ouro Preto, a primeira cidade do circuito. Logo na chegada, já é possível entender porque Ouro Preto ganhou o título de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade da UNESCO. A cidade, que era chamada de Vila Rica e a capital de Minas Gerais, possui o maior conjunto arquitetônico do barroco no Brasil e preserva ícones do estilo como as Igrejas de São Francisco de Assis, com obras-primas de Aleijadinho, e a de Nossa Senhora do Pilar, ornamentada com mais de 400 kg de ouro.

Chegando pela manhã em Ouro Preto já é possível iniciar o passeio em meio às ladeiras de paralelepípedo. As casas coloniais hoje abrigam museus, comércio e residências, além das famosas repúblicas de estudantes. As ruas contam ainda com alguns chafarizes e capelinhas, que mostram a religiosidade dos séculos XVII e XVIII, épocas da abundância do ouro nas minas e da Inconfidência Mineira.

Igreja São Francisco de Assis, centro de Ouro Preto.  Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Igreja São Francisco de Assis, centro de Ouro Preto.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Inicie o passeio a partir da Igreja de São Francisco de Assis, considerada a obra-prima da arte colonial brasileira, pois teve a mãe de dois grandes artistas na sua construção: Aleijadinho, que projetou a igreja e esculpiu o lavabo da sacristia em pedra sabão e Mestre Ataíde, que pintou por 10 anos o forro da igreja de uma maneira fantástica, criando a ilusão de infinito. Saindo da igreja, garanta uma lembrancinha do passeio na Feira de Artesanato em Pedra Sabão, típico de Ouro Preto. Aproveite e visite a Casa Antônio de Gonzaga para conhecer um pouco da história desse poeta inconfidente.

Feira de Artesanato em Pedra Sabão, em Ouro Preto. Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Feira de Artesanato em Pedra Sabão, em Ouro Preto.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Caminhando em direção ao centro, pare para um almoço saboroso com pratos típicos, como o tutu de feijão. O Restaurante Contos de Réis é um dos mais conhecidos na cidade, originalmente mineiro. Outras opções são os Restaurantes Casa Do Ouvidor  e o Chão de Minas, todos com muitas opções e preços acessíveis.

Retornando o passeio, vá para a histórica Praça Tiradentes e visite o Museu da Inconfidência, antiga Casa de Câmara e Cadeia, com um acervo de objetos e manuscritos da Inconfidência Mineira, além de indumentárias, mobiliário e objetos dos séculos XVIII e XIX e de obras de Aleijadinho, Xavier de Brito e Mestre Ataíde, artistas plásticos famosos no barroco. O museu só abre das 12 às 17h.

Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Continue para trás do Museu, onde está a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que pela localização apresenta uma vista linda da cidade. Após, conheça a Matriz Nossa Senhora da Conceição, onde estão as sepulturas de Aleijadinho e seu pai, Manuel Francisco Lisboa, que projetou e construir a Igreja. Anexo a Matriz está o Museu do Aleijadinho, com suas obras e um pouco de sua história.

Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto. Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Outro ponto interessante para se visitar é Museu Casa dos Contos, construído em 1782 e que possui até hoje uma senzala, era a antiga casa onde o ouro era pesado e taxado por Portugal. A casa também foi residência do administrador de impostos de Minas, João Rodrigues de Macedo, e serviu para abrigar a Junta da Real Fazenda e a Intendência do Ouro, por isso é chamada Casa dos Contos. O Museu conta a história do ouro, com uma exposição de moedas, e dos momentos altos de Minas Gerais.

Antes das 17h é possível ainda visitar a Igreja do Pilar, uma das mais requintadas ao estilo barroco e que detém o título de segunda mais rica do país devido aos 434 kg de ouro que adornam sua nave e altar e mais de 400 anjos esculpidos, e a Igreja Nossa Senhora do Rosário, com uma fachada circular e interior é bem simples, com evocação de santos negros, devido a ser a igreja dos escravos na época.

Finalize este dia de caminhadas por Ouro Preto (e haja pernas para as ladeiras!) descansando e tomando um cafezinho mineiro no Empório dos Meninos ($$) ou no Café Cultural Ouro Preto ($$), com ambiente charmoso e delícias de quitutes da região. Para jantar, O Passo ($) é uma ótima pizzaria, o Restaurante Tratoria Oro Nero ($) traz a culinária italiana com muito capricho e o Escada Abaixo ($$) surpreende pelo ambiente, com música e ótimos pratos da cozinha internacional, além de uma carta ampla de cervejas.

No outro dia, após uma sossegada noite de sono em uma das várias pousadas ou hotéis do centro de Ouro Preto, é hora de conhecer a Mina Velha, que, como o nome já diz, é uma das mais antigas minas da região, datada de 1704, com quilômetros de túneis, hoje interditados em sua maioria devido ao perigo de queda. Os moradores locais falam que Ouro Preto é tipo um queijo suíço, devido às inúmeras minas com túneis que existem no subsolo da cidade. Esta mina pertenceu a Felipe dos Santos e é possível caminhar, acompanhado de um guia, que mostra a dificuldade de extração de minerais, além de poder observar nas paredes dos túneis faixas de ocre, mineral utilizado em pinturas, e da malacacheta. Conheça também a Mina do Chico Rei, onde é possível caminhar por 1.500 metros de túneis, onde os escravos trabalharam até 1888 (ano da abolição), deixando vários minerais expostos.

Interior da Mina de ouro do Chico Rei, em Ouro Preto. Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Interior da Mina de ouro do Chico Rei, em Ouro Preto.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Caminhe mais pelo centro e conheça o comércio local, há muitas peças decorativas incríveis e que podem ser pechinchadas. Almoce tranquilamente em Ouro Preto ou parta em direção a Mariana, a apenas 13 km. O trajeto, que pode realizado de carro ou de trem com a turística Maria Fumaça, faz parte da Estrada Real, aberta pelos portugueses para escoar ouro e diamantes a partir do porto do Rio de Janeiro. A Estrada Real é a maior rota turística do Brasil e abriga algumas das mais belas paisagens do mundo. Então, vá apreciando os lindos cenários compostos de montanhas, muito verde e algumas cachoeiras.

Vista da Capela São José, em Ouro Preto. Trajeto até Mariana faz parte da Estrada Real. Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Vista da Capela São José, em Ouro Preto. Trajeto até Mariana faz parte da Estrada Real.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

 

Mariana

O trolley, na Mina da Passagem. Descida até 120 metros de profundidade. Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

O trolley, na Mina da Passagem. Descida até 120 metros de profundidade.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Para almoçar em Mariana há várias opções, como o Bistrô e o Rancho da Praça que servem comida típica mineira, ou o Lua Cheia, incrivelmente eclético.

Após o almoço, que tal completar o dia das Minas visitando a Mina da Passagem? Uma das maiores minas de ouro do mundo aberta a visitação! A visita começa descendo 120 metros em um carrinho sobre trilhos, o trolley, que ainda funciona manualmente. A profundidade da mina impressiona, assim como os túneis e cavidades de onde foram retiradas quase 35 toneladas de ouro desde sua abertura no século XVIII, e o lago subterrâneo natural formado pelo lençol freático devido às extrações. Realmente incrível! O guia, filho de minerador, conta as histórias locais bem ao estilo da região, causos que farão você se surpreender!

Lago subterrâneo na Mina da Passagem. Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Lago subterrâneo na Mina da Passagem.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Para o final de tarde, prove as diferentes cervejas da Cervejaria Mariana Grill ou as delícias do Chantilly, com guloseimas e o café produzido na região. Descanse bem à noite, pois há muito pela frente no dia seguinte.

O terceiro dia do passeio é caminhando por Mariana, fundada em 1745 foi a primeira vila, a primeira capital e a sede do primeiro Bispado do estado. A cidade foi pioneira também em planejamento urbanístico, notado em suas ruas em linha reta e praças retangulares.

A Praça do Coreto é o ponto de encontro dos moradores no final de semana e partir dela começamos um dia de caminhadas. Pertinho da Praça há vários ateliês de artistas locais para comprar a lembrancinha da cidade.

A partir da Praça siga para o Museu de Arte Sacra, que abriga um acervo de cerca de 2 mil  peças, que se encontram separadas por categorias, como: escultura, pintura religiosa e civil, paramentos litúrgicos, objetos de culto religioso (usados até hoje nas cerimônias religiosas), além de louças e porcelanas chinesas, cristais, entre outros objetos dos antigos Bispos.

Ao lado do Museu está a Catedral da Sé de Mariana, que guarda um órgão musical construído na primeira década do século XVIII em Hamburgo, Alemanha, por Arp Schnitger, um dos maiores construtores de órgãos de todos os tempos. Uma relíquia da cidade que ainda funciona e de sexta a domingo é possível ouvir um belo concerto no local. De 1704 até 1711, a Catedral se chamou Capela da Beata Virgem Maria do Monte Carmelo, única capela até Mariana se tornar Vila e a capela, Catedral.

Cadetral da Sé, em Mariana. Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Cadetral da Sé, em Mariana.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Pare para um almoço que pode ser no Sinhá Olímpia ou no Restaurante Sabor Mineiro, ambos com ótimas opções da cozinha brasileira.

E antes de ir embora, conheça a Igreja São Francisco de Assis, construída em 1763, que abriga os restos mortais de Mestre Ataíde, cujas pinturas o tornaram famoso artista barroco. A nave e a sacristia foram obras suas e as sineiras e a fachada da Igreja tem influência de Aleijadinho.

Igreja São Francisco de Assis, em Mariana. Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Igreja São Francisco de Assis, em Mariana.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

A última parada em Mariana é na Casa de Câmara e Cadeia, construída em 1784, que abrigou diferentes funções, desde a Casa de Câmara e Audiência, o Sino do Povo e o Relógio Público, até uma senzala e uma fundição de ouro no século XVIII. Ponto final de 3 dias perfeitos na rota de ouro de Minas Gerais!

Casa de Câmara e Cadeia, em Mariana. Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Casa de Câmara e Cadeia, em Mariana.
Photograph by Ricardo Junior / www.ricardojuniorfotografias.com.br

Por Guia Viagens Brasil Texto: Fotos:  26 de novembro de 2014

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